Quais Repelentes de Insetos podem ser usados durante a gravidez?

Diante do surto de microcefalia associada ao Zica Virus, que recentemente surgiu principalmente nos estados do Nordeste do Brasil, várias dúvidas tem surgido sobre as formas de evitar a contaminação e como evitar a picada do mosquito. Neste texto discutiremos o uso dos repelentes durante a gravidez.

Microcefalia, zica repelentes

Quanto ao uso de repelentes durante a gestação, a Anvisa esclarece:

“Não há, dentro das normas da Agência, qualquer impedimento para a utilização destes produtos por mulheres grávidas, desde que estejam devidamente registrados na Anvisa e que sejam seguidas as instruções de uso descritas no rótulo.”

Embora não haja estudos usando especificamente todos os tipos de repelentes, outros cosméticos usando substâncias da sua composição possuem perfil de segurança quando usados em gestantes, em qualquer época período do desenvolvimento fetal.

O Center for Disease Control e Prevention (CDC), órgão regulador dos Estados Unidos, recomenda o uso de produtos repelentes por gestante, uma vez que a Enviromental Protection Agency (EPA), responsável pela autorização de uso destes produtos nos EUA, não estabelece nenhuma restrição nesse sentido. Os repelentes comercializados no Brasil são os mesmos do mercado americano e, portanto, apresentam o mesmo perfil de segurança.

Com relação aos pesticidas domésticos, os mesmos apresentam as restrições no rótulo, como “após a aplicação, evitar permanecer no ambiente”. Este tipo de orientação deve, logicamente, englobar as mulheres grávidas.

Todos os produtos apregoados como “naturais”, comumente comercializados como velas, odorizantes de ambientes, limpadores e os incensos, que indicam propriedades repelentes de insetos, não estão aprovados pela Agência e estão irregulares.

Tipos de repelentes disponíveis:

OFF – Composto de DEET(N,N-dietil-3-metilbenzamida ou N,N-dietil-m-toluamida)  é o repelente mais eficaz atualmente disponível, sendo usado desde a década de 1950 em mais de 80 bilhões de aplicações. Um estudo recente verificou que formulação com 4,75% de DEET confere proteção completa por 88 minutos; com 6,65% de DEET a proteção dura 112 minutos; com 23,8% de DEET a proteção é de 301 minutos em média, superior à proteção fornecida por óleo de soja e citronela

Estudos conduzidos em humanos durante o segundo e o terceiro trimestres de gestação, e em animais durante o primeiro trimestre, indicam que o uso tópico de repelentes à base de n,n-Dietil-meta-toluamida  (DEET) por gestantes é seguro.

EXPOSIS – Composto de Icaridina ou KBR 3023 (1-piperidinecarboxylic acid, 2-(2-hydroxyethyl)-1-methylpropylester) –  é um repelente com eficácia semelhante ao DEET. Em concentração de 10% confere proteção por um período de três a cinco horas e, a 20%, de oito a dez horas.

Sua ação é comparável a concentrações de 15-50% de DEET, mas permite reaplicações em intervalos maiores de tempo. Estudo africano verificou que a potência do KBR 3023 contra o Anopheles gambiae não difere do DEET, mas contra o Aedes aegypti é de 1,1 a 2,0 vezes mais potente. Após dez horas de exposição, é mais eficaz que o DEET e o IR 3535.

XPEL, REPEL, BIO Z – Composto de ácido aminopropionico propil-éster – é um biopesticida sintético com estrutura química semelhante ao aminoácido alanina, disponível na Europa há mais de 20 anos. Em concentração de 20%, é eficaz contra Anopheles e Aedes por um período de quatro a seis horas. Pode ser usado por gestantes, pois possui bom perfil de segurança. Na França, é recomendado apenas para crianças acima de 30 meses.
Estudo desenvolvido no Brasil comparou o IR3535 e o KBR 3023 a 10 e a 20%, verificando-se uma média de proteção até a primeira picada de Aedes aegypti de seis horas (mínimo de cinco horas e 20 minutos), sem diferença significante entre os produtos. Comparado ao DEET, o IR3535 foi igual ou superior na proteção contra duas espécies de flebótomos. O tempo de proteção para Aedes aegypti foi similar ao DEET – cerca de três horas – com fórmulas a 10 e 20% de ambos os repelentes. Há estudos, entretanto, que evidenciaram proteção média tão curta quanto seis a 23 minutos.

Repelentes “naturais” – Os inseticidas “naturais” à base de citronela, andiroba e óleo de cravo, entre outros, não possuem comprovação de eficácia nem a aprovação pela Anvisa até o momento. Os produtos que se encontram atualmente regularizados na Anvisa com tais componentes possuem sempre outra substância como princípio ativo.

Velas, odorizantes de ambientes, limpadores e os incensos, que indicam propriedades repelentes de insetos, não estão aprovados pela Agência e estão irregulares.

Informações adicionais:

 

  • Em áreas de alta densidade demográfica de mosquitos, deve-se garantir que as portas estejam bem vedadas, as janelas, fechadas e com telas.
  • Manter ambientes refrigerados com ar condicionado é uma forma altamente eficaz de manter mosquitos afastados do recinto, de tal forma que a OMS advoga que, em hotéis refrigerados, são desnecessárias outras medidas de proteção interna.
  • Mosquiteiros simples ou com aplicação de inseticidas (permetrina) são indicados na proteção noturna de adultos e crianças e na proteção diurna de lactentes jovens.
  • Tendas tratadas com inseticidas são altamente eficazes, seguras, duradouras e de acesso relativamente fácil. Os poros das telas de mosquiteiros/tendas não devem ser maiores que 1,5mm. O uso combinado de repelente tópico e tela tratada com inseticida parece ter o melhor custo-benefício na prevenção de picadas.
  • O uso de vestimenta adequada (meias, blusas de mangas compridas e calças) é desejável, porém de baixa praticidade em um país de clima quente como o Brasil.
  • Muitos repelentes podem ser aplicados sobre roupas (DEET, icaridina), conferindo proteção prolongada e diminuindo o uso tópico das substâncias.
  • Incensos e velas naturais só têm ação quando aplicados por horas contínuas e iniciados bem antes da exposição da pessoa ao ambiente. Velas e incensos de citronela não têm efeito repelente suficiente para que haja recomendação de seu uso isolado.
  • O uso da vela de andiroba por tempo prolongado (48 horas contínuas) em área com cerca de 27m2 previne até 100% das picadas de Aedes aegypti.

microcefalia, zica repelentes gestantes

 

Repelentes ineficazes:

  • Os repelentes ultrassônicos não se mostraram eficazes em diversos estudos, assim como dispositivos elétricos luminosos com luz azul.
  • A Tiamina ou Vitamina B não apresenta eficácia comprovada como repelente e esta indicação de uso não é aprovada pela Anvisa.
  • Raquetes e outros instrumentos eletrocutores também não têm eficácia comprovada.
  • Vários estudos, até o momento, não demonstraram eficácia suficiente para justificar o uso sistêmico de substâncias na tentativa de repelência pelo odor exalado no suor.

 

Orientações de uso:

  • Generosidade: a tendência natural é passar menos que o necessário.
  • Homogeneidade: a ação de um repelente limita-se a 4cm; a simples aplicação na bochecha não protege áreas adjacentes como o nariz ou o queixo.
  • Seletividade: todos os repelentes irritam as mucosas e, portanto, deve-se evitar passá-los nos olhos, boca e narinas e em áreas não expostas.
  • Repetição: deve-se aplicar o repelente conforme o tempo de exposição aos insetos e as orientações do fabricante. Repelentes devem ser aplicados apenas em áreas expostas, nunca sob roupas, e a pele em que foi aplicado o produto deve ser lavada com água e sabão quando findo o tempo de exposição.
  • Evitar o uso em ambientes fechados (preferir outras medidas já mencionadas). Crianças não devem dormir com repelentes (use roupas compridas e mosquiteiros). A aplicação no rosto deve ser evitada e, se realizada, nunca aplicar o produto diretamente na face (aerossóis).
  • O produto deve ser aplicado nas mãos do adulto e, então, no rosto da criança, evitando-se o contato com mucosas. Sempre lavar as mãos após as aplicações. Nunca permitir que crianças apliquem o repelente sozinhas.
  • Bloqueadores solares que contenham repelentes são desaconselhados, pois perdem efeito (a associação com DEET reduz eficácia em 34%). Além disso, filtros solares geralmente precisam ser reaplicados em intervalos mais curtos do que repelentes e o uso concomitante desses produtos pode aumentar a absorção sistêmica e a toxicidade deste último.

 

 

Fontes:

CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION – Insect Repellent Use & Safety. 2015.

CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION – Effects of Disasters on Pregnant Women: Environmental Exposures. 2015.

NORTH DAKOTA DEPARTMENT OF HEALTH – Insect Repellent Use and Safety. Division of Disease Control. 2008. Disponível em https://www.ndhealth.gov/WNV/Documents/FAQS/Repellent.pdf

SAÚDE, Ministério da. Anvisa não vê restrições no uso de repelentes por gestantes. Disponível em – http://portal.anvisa.gov.br/wps/content/anvisa+portal/anvisa/sala+de+imprensa/menu+noticias+anos/2015/anvisa+nao+ve+restricoes+no+uso+de+repelentes+por+gestantes

STEFANI, Germana Pimentel et al.Repelentes de insetos: recomendações para uso em crianças.Rev. paul. pediatr. [online]. 2009, vol.27, n.1, pp. 81-89. ISSN 1984-0462.  http://dx.doi.org/10.1590/S0103-05822009000100013.

Uso de repelentes de inseto durante a gravidez. Disponível em http://www.dgs.cbmerj.rj.gov.br/documentos/Recomendacoes%20MS%20-%20%20uso%20de%20repelentes.pdf

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