Gravidez de Gêmeos: Guia completo do diagnóstico ao parto

A presença de dois ou mais fetos na cavidade uterina altera diversos aspectos do acompanhamento da gestação que devem ser avaliados. É um tipo especial de gestação que necessita de avaliações e cuidados específicos. A incidência tem aumentado com os tratamentos de fertilidade assistida.

Gravidez de gêmeos reprodução assistida pré-natal de alto risco

As gestações de gêmeos merecem acompanhamento especial em pré-natal de alto risco uma vez que há mais de um feto na cavidade e possui complicações próprias que devem ser pesquisadas para diagnóstico precoce. Necessita de experiência em gestações de alto risco, uma vez que muitas complicações obstétricas estão mais presentes nas gestações gemelares.

Por que o número de gestações de gêmeos tem aumentado?

As mulheres tem engravidado cada vez mais tarde, após conseguirem estabilidade financeira e social. Sabemos que a idade materna avançada aumenta bastante a chance de gestação de gêmeos. Além disso, muitas destas mulheres necessitam de métodos de reprodução assistida. Estes seja por implantação de mais de um embrião, seja por estimulação ovariana intensa, são causadores de uma boa parte das gestações de gêmeos.

Por que é importante saber o tipo de placenta e bolsa amniótica?

É importante a realização de ultrassonografia no início das gestações gemelares para determinar o número de placentas e bolsas amnióticas. As gestações com 2 fetos podem ser:

  • Monocoriônicas – uma só placenta para os dois fetos. Podem apresentar problemas quanto à distribuição de fluxo sanguíneo para cada um dos fetos, podendo estes apresentarem restrição de crescimento seletiva.
  • Dicoriônicas – duas placentas, sendo uma para cada feto. Menor risco de alterações vasculares, embora possa apresentar crescimento fetal discordante.
  • Monoamnióticas – uma única bolsa amniótica para os dois fetos. Apresenta como maior complicação o entrelaçamento de cordões, que pode ocorrer em qualquer idade gestacional e provocar sofrimento fetal agudo, com risco de óbito.
  • Diamnióticas – uma bolsa para cada feto.

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Por apresentarem características e complicações próprias, a corionicidade e a amnionicidade devem ser determinados tão logo a gestação gemelar seja diagnosticada.

Quando o médico deve suspeitar de gestação de gêmeos?

A presença de útero grande para a idade gestacional deve levantar a suspeita. Em estágios mais avançados podem ser palpados dois ou mais fetos e mais de um foco de ausculta cardíaca fetal. A ultrassonografia confirma a presença de mais fetos na cavidade uterina.

USG gemelar

Mais de um bebê: é bom ou ruim?

As gestações gemelares possuem um risco de complicações materno-fetais maior que as gestações únicas. Vamos citar algumas abaixo:

Síndrome de Transfusão Feto-fetal:

As gestações monocoriônicas tem maior risco de Síndrome de Transfusão Feto-fetal. Nesta alteração, um dos fetos “rouba” sangue do outro e prejudica o seu desenvolvimento normal. Deve ser suspeitada quando há diferença de peso entre os fetos de 20 a 25%. Além disso quando em gestações diamnióticas, há aumento do líquido em uma e diminuição em outra bolsa das águas. Neste caso a paciente deve ser avaliada quanto à necessidade de procedimentos invasivos.

Acompanhamento médico:

  • Consultas mais frequentes durante o pré-natal;
  • Ultrassonografias periódicas sendo mensais no terceiro trimestre.
  • Ultrassonografia transvaginal para avaliar o comprimento do colo uterino é útil para indicar as gestantes com maior risco de evoluir para parto pré-termo.
  • Corticoide para maturação pulmonar em pacientes que apresentarem trabalho de parto pré-termo em gestações com 02 fetos. De forma profilática, independente do trabalho de parto, em 03 ou mais fetos.

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Qual a melhor via de parto para as gestações de gêmeos?

O trabalho de parto em gestações com mais de um feto deve ser avaliado mais cuidadosamente quanto à posição dos fetos e à sua vitalidade. Desta forma o parto normal pode ser feito quando houver condições favoráveis.

A duração da gestação de gêmeos é a mesma?

Não. Por haver maior distensão uterina devido à quantidade de fetos, estas gestações possuem duração relativamente menor que as únicas. Também devem ser avaliados a presença de Restrição de Crescimento Fetal e alterações placentárias que indiquem a resolução de forma mais precoce.

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Há maior risco no parto de gêmeos?

Sim. Há maior risco de complicações de parto em gestações gemelares. A situação dos fetos aumenta a chance de distocias e traumatismos durante o parto. Além disso, a sobredistensão do útero materno facilita o desenvolvimento de trabalho de parto pré-termo, rotura prematura das membranas amnióticas e também aumenta o risco de hemorragias pós-parto.

Cesárea – primeiro feto pélvico ou córmico(de ombro), trigemelares, portadores de Síndrome de Transfusão Feto-fetal, monoamnióticos e gemelaridade imperfeita(siameses).

Demais situações:

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Em partos vaginais o intervalo entre a saída dos fetos não deve exceder 30 minutos. Nestes casos e/ou quando a vitalidade do segundo feto estiver comprometida, considerar cesárea para a retirada do segundo feto.

E se forem mais de 2 fetos?

Neste caso é prudente a realização de cesariana devido ao aumento do risco de alterações mecânicas durante o parto, que impeçam o nascimento via vaginal. Também deve ser lembrado o maior índice de prematuridade e baixa tolerabilidade ao trabalho de parto normal destes.

Há alguma forma de evitar o término precoce da gestação?

Na ocorrência de trabalho de parto prematuro as medidas são as mesmas que nas gestações únicas. Não tem impacto algum o uso de progesterona profilática, o repouso absoluto e a cerclagem na ausência de insuficiência istmo-cervical.

Como o parto geralmente é prematuro, não esquecer de realizar corticoterapia, sulfato de magnésio e profilaxia de sepse neonatal.

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Fontes:

Ministério da saúde do Brasil. Gestação de Alto Risco. Manual Técnico. 5ª Edição. Brasília-DF. 2012.

The American College of Obstetricians and Gynecologists. Multifetal gestations: twin, triplet, and higher-order multifetal pregnancies. Practice Bulletin No. 144. American College of Obstetricians and Gynecologists. Obstet Gynecol 2014:123:1118–32.

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