10 Intervenções do Pré-natal capazes de reduzir a mortalidade materno-fetal

A gestação é um momento tão importante da vida da mulher que possui um calendário próprio de consultas e avaliações médicas. Este varia de acordo com a presença ou não de situações de risco presentes em cada gravidez e no cotidiano de cada mulher.

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Tripé da redução de mortalidade materno-fetal:

Segundo a OMS o pré-natal é capaz de reduzir a mortalidade materno-fetal através de intervenções de baixa complexidade. Divide estas intervenções em 03 categorias:

Promoção – estratégias que visem a manutenção da saúde materna e a melhor adaptação desta à gravidez.

Prevenção – através da classificação de risco, as intervenções específicas para cada situação, como forma de prevenir agravos de saúde.

Nutrição – a gestante é o único ser eutrófico(bem nutrido) que necessita de suplementação vitamínica para manutenção da sua saúde. O desenvolvimento da gestação reflete a qualidade da alimentação materna e o sua capacidade de fornecer a quantidade ideal e adequada de nutrientes para o melhor desenvolvimento fetal. 

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Intervenção #1 – Classificação de risco

O médico que realiza o pré-natal deve estar habilitado para reconhecer qual a capacidade de a gestação em questão desenvolver resultados adversos. Quando este risco for maior que a média da população de gestantes, como em uma mulher diabética, por exemplo, este acompanhamento deve ser modificado.

As gestações de baixo risco podem ser acompanhadas em postos de saúde por médico generalista. Entretanto, quando há situações de risco gestacional há necessidade de avaliação por médico gineco-obstetra juntamente com outras especialidades como endocrinologistas e cardiologistas.

A avaliação do risco gestacional deve ser feita a cada consulta, lembrando que as complicações podem acontecer somente com o decorrer da gestação. A pré-eclampsia por exemplo ocorre após 20 semanas de idade gestacional.

A simples classificação do local de acompanhamento da gestação é capaz de alterar a taxa de mortalidade materna.

Intervenção #2 – Cálculo correto da idade gestacional

O cálculo da idade gestacional é fundamental para acompanhar as alterações características de cada momento da gestação. As melhores formas são a data da última menstruação e a ultrassonografia precoce.

O problema é que na nossa cultura, mais de 30% das mulheres não sabem com exatidão a data do início do seu último ciclo (Pastore, 2009). Desta forma a ultrassonografia realizada antes das 14 semanas de gestação surge como a melhor forma de avaliar a idade gestacional.

Portanto após o diagnóstico de gestação a mulher deve realizar uma ultrassonografia precoce, idealmente entre 8 e 12 semanas de idade gestacional como forma de manter um cálculo correto.

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Intervenção #3 – Exame Clínico

Gestação não é somente útero e feto. A gestante merece avaliação clínica completa, de mama, membros inferiores, pele, saúde oral, cardiorrespiratória… As condições patológicas clínicas sabidamente são capazes de provocar desfechos gestacionais negativos.

Logicamente que para reconhecer as condições patológicas que acometem a gestação, o médico que realiza o pré-natal deve reconhecer as alterações que são esperadas em gestações normais e que não representam aumento do risco.

Intervenção #4 – Pressão arterial

A gestação causa retenção de líquido para que haja fluxo fetoplacentário adequado. Para algumas mulheres esta sobrecarga de volume associado a defeitos de placentação leva ao desenvolvimento de distúrbios hipertensivos. Nos países menos desenvolvidos como o Brasil, figura como a principal causa de morte materna.

A avaliação da pressão arterial da gestante deve ser realizada a cada consulta, com maior atenção nas fases finais da gestação, quando se desenvolvem mais frequentemente os estados hipertensivos.

Na ocorrência de aumento pressórico a paciente deve ser referenciada para exames laboratoriais capazes de avaliar a gravidade do quadro e classificar o distúrbio hipertensivo, bem como definir a necessidade de internação hospitalar e resolução da gestação.

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Intervenção #5 – Estado nutricional

A avaliação do estado nutricional da gestante e do IMC no início da gestação é importantíssima para avaliar a capacidade de desenvolvimento da gestação com relação ao aporte nutricional fetal. Tanto a subnutrição como o sobrepeso são associados a maus resultados gestacionais.

A subnutrição está associada a prematuridade fetal, Crescimento Intrauterino Restrito, infecções maternas que podem provocar rotura prematura de membranas. Portanto a alimentação adequada é fundamental para o desenvolvimento adequado da gestação e o pleno desenvolvimento do concepto.

O sobrepeso é associado a abortamentos, diabetes gestacional e distúrbios hipertensivos.

Intervenção #6 – Sulfato ferroso

A gestante necessita de um maior aporte de ferro devido à expansão de volume sanguíneo e como preparação para as perdas sanguíneas do parto e da lactação. Esta é ainda mais importante nas mulheres que apresentam anemia previa à gestação.

A anemia na gestação facilita o desenvolvimento de infecções, parto prematuro e restrição de crescimento fetal.  Desta forma a suplementação de sulfato ferroso é fundamental para evitar maiores complicações.

Em gestantes sem anemia, deve ser iniciada após as 14 semanas de idade gestacional. Naquelas que possuem anemia, antes deste período. A manutenção deve ser feita até a lactação, em média 3 meses após o parto.

Intervenção #7 – Ácido fólico

Tem importância fundamental na formação do sistema nervoso fetal e é capaz de evitar anencefalia quando há suplementação adequada. Sua maior importância é nas primeiras 12 semanas de idade gestacional. Portanto, as mulheres que estão tentando engravidar devem iniciar o uso de ácido fólico como forma de manter uma suplementação adequada no início do desenvolvimento fetal.

Intervenção #8 – Pesquisa de infecções

Logo na primeira consulta são solicitadas várias sorologias para a pesquisa de infecções maternas. Algumas delas como a toxoplasmose, pode interferir de forma negativa no desenvolvimento fetal.

Devem ser pesquisados:

  • Toxoplasmose
  • Hepatite B
  • Citomegalovírus
  • Rubéola
  • HIV
  • Sífilis

Intervenção #9 – Pesquisa de diabetes gestacional

O rastreamento de Diabetes Gestacional deve ser realizado de forma universal através da dosagem de glicemia de jejum no primeiro trimestre. Quando há valores acima de 85mg/dl, deve ser realizado Teste Oral de Tolerância a Glicose.

O reconhecimento do Diabetes na gestação é fundamental para o correto seguimento durante o pré-natal, tanto que a sua pesquisa é realizada em todas as grávidas. Sabemos que há diversas complicações para a mãe e para o feto de acordo com o controle glicêmico. Dentre estes estão infecções maternas graves, malformações fetais, abortamentos e morte fetal tardia. 

Intervenção #10 – Vacinação

O calendário vacinal da gestante deve ser verificado para que os esquemas incompletos sejam reforçados. Apenas as vacinas com agentes vivos devem ser evitados, por teoricamente poderem causar infecções fetais. Vacinas com o tétano, são capazes de reduzir a morte materna e fetal.

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Fontes:

FREITAS, et al. Rotinas em Obstetrícia. Artmed. 2009.

LEVENO, et al. Obstetrícia de Williams. 2014.

REZENDE, et al. Obstetrícia de Rezende. 2011.

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