Lupus e Gravidez: Cuidados Especiais no Pré-natal de Alto Risco

O lupus é uma doença sistêmica causada por desregulação do sistema imunológico e formação de anticorpos que causam lesões em diversos órgãos. Pode se manifestar durante a gestação e provocar alterações fetais que devem ser pesquisadas.

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O Lupus Eritematoso Sistêmico(LES) é uma doença inflamatória crônica que afeta os mais diversos órgãos e tecidos. Há desregulação do sistema imunológico que faz com que tecidos próprios do indivíduo sejam atacados.

Pode se manifestar durante a gestação devido à sua prevalência no sexo feminino e na idade de 25 a 35 anos. 

As mulheres com Lupus podem engravidar?

Sim. Entretanto, como em todas as doenças crônicas pré-existentes, o ideal é que a concepção ocorra no momento de maior estabilidade clínica. No LES, o ideal é planejar a gestação para um momento em que haja ausência de crises há pelo menos 6 meses.

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Qual o risco para a mulher portadora de LES que engravida?

Pela modulação que ocorre no sistema imunológico das gestantes, a doença pode se manifestar, melhorar ou piorar. Os marcadores de doença são importantes para selecionar aquelas que merecerão atenção redobrada. As gestações possuem maior risco em mulheres com atividade renal da doença.

Como o LES pode acometer o feto?

O Lúpus Neonatal é o acometimento fetal em mulheres portadoras da doença que engravidam. Ocorre em 1 a 2% das mães com anti-Ro positivo.

As lesões são causadas pela passagem transplacentária de anticorpos que atingem principalmente coração e pele do feto. As lesões da pele surgem após o nascimento e desaparecem após o sexto mês de vida.

Já o bloqueio cardíaco é mais grave e pode necessitar até mesmo de cirurgia.
Está presente em 1:60 das gestantes lúpicas e aumenta para 1:20 em anti-Ro positivo. O exame diagnóstico é o Ecocardiograma fetal, realizado preferencialmente de 16 a 24 semanas de gestação.
O bloqueio cardíaco fetal apresenta taxa de 19% de óbito. Este é causado por Insuficiência cardíaca fetal, hidropsia, derrame pericárdico. O tratamento é feito com uso de corticoide em altas doses pela mãe. 

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Quais os cuidados essenciais durante o pré-natal?

Por apresentar um risco elevado de descompensação do quadro clínico materno, além de poder prejudicar o desenvolvimento fetal, estas gestantes devem ser acompanhadas em pré-natal de alto risco. O intervalo entre as consultas também deve ser reduzido.

Precauções Importantes:

Pressão arterial – deve ser verificada com atenção devido ao seu aumento associado ao LES. Lembremos que a pré-eclampsia deriva de malformações do desenvolvimento placentário, por alterações vasculares. Estas alterações vasculares são mais frequentes nas pacientes com LES.

Rotina pré-natal – Deve incluir exames específicos de danos orgânicos como
avaliação de funções hepática e renal. Além disso os fatores inflamatórios e anticorpos de atividade da doença como o anti-DNA e complemento. 

A positividade do anticorpo Anti-Ro levanta a possibilidade de acometimento fetal. Neste caso a realização de Ecocardiograma fetal é importantíssima, principalmente em caso de bradicardia fetal.

Síndrome do Anticorpo Antifosfolípide deve ser pesquisada em associação ao LES. Esta é responsável por perdas fetais de repetição e aumento do risco de tromboses maternas.

Consulta com reumatologista – pelo menos trimestral é importantíssima para o melhor acompanhamento da paciente. A comunicação entre os profissionais que acompanham a paciente auxilia na obtenção de melhores resultados.

Ultrassonografias para acompanhar crescimento fetal a cada 15 dias. Pela alteração vascular, podem ocorrer restrição de crescimento fetal e até mesmo sofrimento.

 

Há algum impedimento à amamentação?

Nenhum.  A amamentação é totalmente permitida.

Qual o prognóstico?
aumento de 20x na mortalidade materna nas gestantes com LES. Esta é causada principalmente por piora do funcionamento renal.
O período pós-parto também deve ser acompanhado com atenção visto que há 50% de exacerbações neste período.
Os resultados são piores em descontinuação da medicação e história de doença renal anterior. 
Pré-eclâmpsia é um dos piores complicadores. Ocorre mais em trombocitopenia, nefrite lúpica e declínio dos níveis de complemento.
Lúpus ativo e fator de risco para perdas fetais, principalmente quando associada a anticorpos antifosfolípides.
A prematuridade é a principal complicação fetal, seguida pelo Crescimento intrauterino Restrito em 10 a 15% das gestações.

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Fontes:

LEVENO, et al. Obstetrícia de Williams. Complicações na Gestação. 2014.

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