Variações de Peso e Crescimento do Bebê: CIUR e Macrossomia

O crescimento fetal é uma variável que se correlaciona com o sucesso da gestação. Através dele é possível avaliar inclusive a saúde fetal e se preparar para possíveis complicações da gestação.

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Com o desenvolvimento da medicina fetal, foi percebido que alterações intrauterinas podem ter reflexos por toda a vida do indivíduo. O acompanhamento do crescimento fetal auxilia na definição de estados de sofrimento fetal, malformações congênitas, impacto de doenças maternas e via de parto.

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(Feto de 7 semanas em comparação com uma caneta)

Como ocorre o crescimento fetal?

No início o tamanho e peso fetais são mínimos, com priorização da formação perfeita de estruturas que serão a base para todo o seu organismo. Por isso é tão importante que a gestante use ácido fólico e evite o uso de substâncias químicas nesta fase, que dura até as 14 semanas de idade gestacional.

O maior crescimento fetal ocorre entre 26 e 32 semanas de idade gestacional. É o período em que os vasos placentários são aumentados e uma maior quantidade de sangue chega para nutrir o feto.

A placenta mantém este fluxo aumentado até as 36 semanas, quando cessa seu crescimento e a quantidade de sangue que chega ao bebe sofre leve redução. O crescimento fetal se mantém até que ocorra o nascimento.

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Quais os determinantes do crescimento fetal?

  • Estado nutricional materno – mulheres com baixo peso pré-gestacional tem maior chance de desenvolverem fetos pequenos para a idade gestacional. No outro extremo, mulheres com sobrepeso e obesidade possuem maior risco de terem fetos acima de 4 kg.
  • Ganho de peso na gestação – o ganho insuficiente de peso na gravidez gera fetos menores e o ganho excessivo forma mais macrossômicos. Os efeitos do ganho de peso são mais importantes no primeiro trimestre da gravidez.
  • Formação da placenta – doenças que alteram a formação da placenta podem prejudicar o crescimento fetal.
  • Tabagismo – altera os vasos placentários e diminui o aporte sanguíneo que chega ao feto.

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O que é Crescimento Intrauterino Restrito(CIUR)?

A restrição de crescimento intrauterino ocorre quando alguma agressão infecciosa ou metabólica impede que o feto atinja seu máximo potencial de desenvolvimento.

É caracterizado por fetos que se apresentam pequenos para a idade gestacional(PIG). Ocorre em 3 a 10% das gestações e deve ser avaliado pelo maior risco de complicações tanto na vida intra-útero como após o nascimento.

É dividido em 02 formas:

  • Simétrico – ocorre quando a alteração da gestação se dá de maneira precoce, prejudicando todo o desenvolvimento do feto a partir daquele momento.
  • Assimétrico – ocorre quando a alteração que provoca restrição de crescimento ocorre de maneira tardia na gestação. Há redução da circunferência torácica em relação ao perímetro cefálico do feto. Isto ocorre por conta da centralização que ocorre e do desvio de nutrientes que mantém o desenvolvimento do cérebro fetal e redução da quantidade de tecido gorduroso subcutâneo fetal.

Esta classificação tem mudad o recentemente, dando-se preferência aos termos CIUR precoce e CIUR tardio. Tem maior relação com a vigilância à saúde fetal e à pesquisa de vitalidade.

Quais os fatores de risco para restrição de crescimento fetal?

  • Baixo nível socioeconômico – associa a nutrição inadequada na gestação, com baixo ganho de peso e uso de substâncias danosas para a gestação como o tabaco, drogas ilícitas e álcool.
  • Subnutrição materna e ganho de peso insuficiente na gestação – ambos causam suporte insuficiente de nutrientes para o pleno desenvolvimento fetal.
  • Infecções maternas – as infecções congênitas que são pesquisadas durante o pré-natal são causa frequente de desenvolvimento fetal reduzido. Rubéola, citomegalovírus, toxoplasmose, sífilis, herpes e HIV são causas comuns de CIUR.
  • Malformações congênitas – quando ocorre crescimento fetal inferior às médias de normalidade deve ser levantada a suspeita de doenças genéticas e malformações fetais.
  • Teratógenos – as substâncias que prejudicam o desenvolvimento fetal causam redução importante do crescimento fetal. São causadores de malformações congênitas e alterações do desenvolvimento que podem ser incompatíveis com a vida.
  • Doenças maternas – as doenças clínicas que a mulher possui podem interferir no desenvolvimento da gestação e alterar a curva de crescimento fetal. Um exemplo são as doenças cardíacas que podem dificultar o envio adequado de sangue para a placenta e desta para o feto.
  • Alterações placentárias – o funcionamento pleno da placenta é importantíssimo para garantir a sobrevivência do feto. Quando ocorre formação inadequada dos vasos placentárias, o crescimento fetal é prejudicado.
  • Síndrome do anticorpo antifosfolípide – facilita o desenvolvimento de tromboses e pode prejudicar o desenvolvimento da gestação quando estas ocorrem na placenta. É causa comum de abortamentos de repetição e óbitos fetais tardios.
  • Gestação de gêmeos – como a quantidade de fetos é maior, a placenta pode não conseguir suprir a demanda que é necessária. Um ou ambos os fetos podem ser atingidos e ter o seu crescimento reduzido.

Como o CIUR é diagnosticado?

A avaliação da altura de fundo uterino se correlaciona com a idade gestacional. Quando está muito abaixo, deve ser levantada a suspeita de CIUR.

A ultrassonografia tem boa acurácia na avaliação dos fetos de peso pequeno. É um exame que deve ser realizado precocemente na gestação e repetido entre 32 e 34 semanas.

Quais as complicações associadas ao CIUR?

É consenso que quando o crescimento intrauterino restrito ocorre estão aumentadas as chances de que o feto sofra alguma complicação como:

  • Óbito fetal – o feto sobrevive no limite da sua capacidade funcional em casos de CIUR. Desta forma, alguma causa que possa piorar a sua oferta de nutrientes pode descompensar a saúde do feto de forma que ele não sobreviva.
  • Hipóxia – o fluxo fetal em casos de CIUR é reduzido e a chance de sofrimento por quantidade insuficiente de oxigênio é maior.
  • Alteração do desenvolvimento neurológico – a quantidade insuficiente de sangue que chega ao feto pode alterar o desenvolvimento do cérebro do bebê e fazer com que ele tenha retardo do desenvolvimento mental.
  • Síndrome da Aspiração de Mecônio – o feto com CIUR tem maior chance de sofrimento fetal. Com este pode haver relaxamento esfincteriano e liberação de mecônio para o líquido amniótico.
  • Hipoglicemia neonatal – por ter menor quantidade de tecido gorduroso e menor reserva de nutrientes, estes fetos tem mais chance de desenvolver hipoglicemia após o nascimento.
  • Hipotermia neonatal – novamente a menor quantidade de tecido gorduroso subcutâneo favorece o desenvolvimento de hipotermia pelo bebê.

O que é Macrossomia fetal?

É definida como o desenvolvimento de fetos excessivamente grandes. Não há definição exata do peso que deve ser adotado para a classificação. O American College of Obstetrics and Gynaecology (ACOG) sugere que sejam denominados macrossômicos os fetos com peso superior a 4.500g.

Na prática, adota-se o peso de 4.000g para a macrossomia por este ser o limite para o surgimento de complicações decorrentes do tamanho fetal excessivo.

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Fatores de risco para macrossomia fetal:

Obesidade – as gestantes com obesidade tem maior consumo de nutrientes que acabam passando para o feto e fazendo com que seu crescimento seja exagerado.

DMG – o diabetes gestacional aumenta a produção de insulina pelo pâncreas do feto. Esta produção provoca aumento do crescimento do feto.

Pós-termo – a duração da gestação acima de 42 semanas faz com que o feto tenha maior tempo para crescer e frequentemente há nascimentos de bebes com mais de 4kg.

Pais grandes – é o maior tamanho devido ao potencial genético dos pais que se transfere ao feto. Neste caso o problema é bem menor porque a mãe também é grande.

Rn macrossômico anterior – história de feto com tamanho aumentado em gestação anterior implica em maior risco na gestação atual.

Como a macrossomia fetal é diagnosticada?

As medidas do fundo uterino durante o pré-natal podem fornecer uma ideia de quando há crescimento fetal exagerado. Fica difícil avaliar nos casos de obesidade materna.

A ultrassonografia é a ferramenta mais utilizada. Entretanto é bem melhor para avaliar fetos pequenos, uma vez que utiliza variáveis de comprimento do feto. Pode apresentar variação de até 15% no peso fetal em relação ao nascimento.

Quais as complicações associadas à macrossomia fetal?

Aumento do número de cesáreas por conta da desproporção entre o tamanho fetal e o canal de parto. Além disso, quando o parto normal ocorre, são maiores as lacerações perineais e necessidade de episiotomia.

Mais temível ainda é a distocia de ombro. Ocorre quando o tamanho da pelve materna permite a passagem da cabeça fetal, mas os ombros ficam presos. Pode então ocorrer lesão do plexo braquial do feto com paralisia que pode até mesmo ser irreversível.

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Fontes:

Leveno, et al. Manual de Obstetrícia de Williams. Complicações na Gestação. 2014. 23ª Edição.

MELO, Adriana S; ASSUNÇÃO, Paula L; AMORIM, Melania M; CARDOSO, Maria A. Determinantes do crescimento fetal e sua repercussão sobre o peso ao nascer. FEMINA. Nov 2008. Vol 36. Nº 11

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14 comentários sobre “Variações de Peso e Crescimento do Bebê: CIUR e Macrossomia

  1. Ola Dr. Emerson, perdi meu bebê com 32 semanas ele estava com percentil abaixo do normal. Eu tive diabetes gestacional e tive que fazer dieta. Pode ter sido este fator que gerou a perda? Eu e meu marido fizemos a analise cromossomica e esta tudo certo. Obrigada

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  2. Olá Doutor, perdi meu bb com 36 semanas…O pre natal estava perfeito, o bb estava com o tamanho acima do esperado, pode ser um caso de SAF? Acha q vale a pena investigar, pois já tenho um filho de quatro anos e nunca tive um aborto. Obrigada.

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  3. Ola dr. Tive uma perda com 33 semanas de gestaçao,durante o pre natal tive somente diabetes gestacional. Segundo a autopsia q foi feita a causa foi circular de cordao. Mesmo assim fiquei em duvida pois o bebe nasceu com 51 cm e 3.600. Gostaria de saber a sua opiniao. Obrigada.

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  4. Doutor estou preocupada a minha filha foi ontem fazer ecografia o médico disse que o fémur está normal o umero normal também mas a menina não está a engordar está magrinha diz ele ela esta com 32 semanas e o peso deu 1.900 por favor diga-me qualquer coisa ,estou preocupaissima a tensão arterial estava bem.Obrigada

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    • Tem que fazer acompanhamento fetal através de Ultrassonografia para avaliar o crescimento. Somente assim poderá saber se há alguma alteração a mais. Também é importante fazer Ultrassonografia com Doppler para verificar o fluxo sanguíneo

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  5. Olá Dr.
    Eu passei a maior parte do tempo, no inicio da gestação, sob forte stress no trabalho, cheguei a ser afastada por depressão, depois minha pressão arterial se descontrolou, tive pré-eclampcia que evoluiu para síndrome de hellp. Meu bebe também foi diagnosticado com CIUR e nível abaixo do normal de líquido amniótico, nasceu com 29 semanas, pesando apenas 527gm. Faleceu 2 dias depois do parto por hemorragia pulmonar. Quero saber se o Stress e a depressão, podem ter sido a causa da CIUR?

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  6. Dr estou mto preocupada a CC 29,3 do meu bebê está maior que a CA 28,7 cm.a relação cf/CA 20.5 normal 22+2 oque pode ser isto???meu médico não disse nada a respeito.estou desesperada

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    • Rosemere não posso verificar resultados de exames pela internet. Estas medidas de ultrassonografia são associadas numa tabela para saber se há alguma alteração. Leve em consulta o quanto antes

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