O que é a Síndrome do Anticorpo Antifosfolípide?

A Síndrome do Anticorpo Antifosfolípide(SAF) é uma causa de abortamentos de repetição e necessita de tratamento específico para que a mulher consiga engravidar e manter sua gestação até o fim.

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O que é SAF?

Segundo NZERUE et al. (2002):

“A síndrome do anticorpo antifosfolípide é uma entidade clínica caracterizada por tromboses, perdas fetais e trombocitopenia na presença de anticorpos contra a camada fosfolipídica das células, principalmente anticoagulante lúpico e anticardiolipina.”

É uma doença auto-imune, ou seja, o corpo produz anticorpos que acabam combatendo seus próprios tecidos, assim como ocorre no Lúpus. Deve ser pesquisada em casos de abortamentos de repetição, principalmente nos casos de perdas fetais tardias e tromboses recorrentes.

O que a SAF tem a ver com as gestações?

Aborto habitual é mais comum na ocorrência de SAF, sendo definido como a perda gestacional de três ou mais gestações consecutivas, que ocorre em cerca de 1 a 2% das mulheres em idade reprodutiva. Estas mulheres devem realizar investigação para trombofilia.

Como e porque ocorre?

Sua fisiopatologia está implicada na presença de anticorpos antifosfolípides, anticorpos anticardiolipina e anticoagulante lúpico. A presença de anticorpos antifosfolípides tem sido associada a complicações de origem placentária como:

  • Trombose placentária.
  • Pré-eclampsia.
  • Crescimento intrauterino restrito.
  • Perdas fetais tardias (óbito fetal acima de 10 semanas de gestação).

A ocorrência de trombose em pacientes com SAF depende tanto de alterações no sistema de coagulação endógeno, como a proteína C, ativação celular com lesão endotelial e agregação plaquetária e ativação do sistema de coagulação com inibição da antitrombina III.

As perdas fetais ocorrem possivelmente pela ocorrência de trombose de vasos placentários acarretando hipofluxo fetal e sofrimento, chegando ao ponto de tornar impossível a sobrevida fetal no ambiente intrauterino.

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Como a doença é diagnosticada?

Para o diagnóstico da síndrome é necessária a dosagem de anticorpos antifosfolípides em duas ocasiões diferentes com intervalo mínimo de 12 semanas.

Em suspeita de SAF devem ser dosados:

  • Anticorpo anticardiolipina.
  • Anticoagulante lúpico.
  • Anti-beta2-glicoproteína-1.

Como deve ser feito o acompanhamento destas gestantes?

O ideal é que a paciente com SAF seja avaliada anteriormente à gestação, para que possa ser bem orientada quanto a sua condição e as chances de perda gestacional. O pré-natal de alto risco é o local de acompanhamento das gestações e é necessária a participação de um médico hematologista (especialista em doenças do sangue).

Devido ao risco de trombose de vasos placentários é importante que estas pacientes realizem USG Doppler de vasos placentários para avaliação do fluxo que está chegando ao bebê e se os parâmetros de normalidade.

 

Qual o prognóstico das gestações em mulheres com SAF?

As perdas fetais possuem grande impacto para suas famílias, sendo um evento fortemente associado à SAF. Ocorre principalmente na presença de anticorpos anti-beta-2 glicoproteína-1. A presença destes anticorpos associada à positividade para anticoagulante lúpico, que apesar do nome predispõe a trombose in vivo, caracteriza a paciente com SAF como de alto risco de eventos tromboembólicos, de acordo com parâmetros laboratoriais.

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Fontes:

BATES, S. M. et al. Use od Antithrombotic Agents During Pregnancy. American College of Chest Physicians, Hamilton, v. 126, n. 3, p. 627-644, Setembro 2004.

SANGLE, N. A.; SMOCK, K. J. Antiphospholipid Antibody Syndrome. Archives of Pathology & Laboratory Medicine, Salt Lake City, n. 135, p. 1092-1096, Setembro 2011.

LIM, W. Antiphospholipid antibody syndrome. Hematology, Ontario, p. 233-239, 2009.

ABOU-NASSAR, K. et al. The association between antiphospholipid antibodies and placenta mediated complications: A systematic review and meta-analysis. Thrombosis Research, Ottawa, n. 128ª Edição, p. 77-85, Março 2011.

SAIGAL, R. et al. Antiphospholipid Antibody Syndrome. Journal of the Association of Physicians of India, Jaipur, v. 58, p. 176-184, Março 2010.

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