Sofrimento Fetal: Definição e Causas

Durante a gestação alguns fatores que prejudicam a chegada de sangue oxigenado para o feto podem prejudicar seu metabolismo e fazer com que ele entre em um estado de sofrimento. Este deve ser prontamente diagnosticado e tratado para evitar o óbito fetal.

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O que é sofrimento fetal?

É um estado de hipoxemia (redução da quantidade de oxigênio) e acidose (alteração do pH sanguíneo) fetais causados por fluxo sanguíneo insuficiente para garantir o desenvolvimento e até mesmo a sobrevivência do bebê.

O que ocorre em estados de sofrimento fetal?

Quando o fluxo sanguíneo fetal que chega pelos vasos umbilicais é insuficiente para garantir o desenvolvimento fetal, o seu corpo reage para sobreviver. São desencadeados outros meios de produção de energia que acabam formando um estado de acúmulos de ácidos orgânicos, formando acidose fetal.

Ocorre desvio de sangue para os órgãos que são indispensáveis para a sobrevivência do bebê. Estes órgãos nobres para a sobrevida fetal são: coração, cérebro e adrenais. Este fenômeno é conhecido como centralização.

Durante a centralização, há menor quantidade de fluxo sanguíneo para a musculatura, como forma de economizar energia. Com o relaxamento da musculatura há redução da movimentação fetal e do tônus. Estes podem ser percebidos pela gestante e também avaliados à ultrassonografia. Além disso, pode haver liberação de mecônio dentro do líquido amniótico, tornando este esverdeado e com risco de aspiração fetal.

O menor fluxo sanguíneo que chega aos rins fetais, reduzem a produção de urina, que forma o líquido amniótico. Há então redução do líquido amniótico em casos de sofrimento fetal.

A frequência cardíaca fetal se torna acelerada na fase aguda do sofrimento. É uma forma de aumentar o sangue que é bombeado para os órgãos periféricos. Após algum tempo neste aumento de frequência, a musculatura cardíaca pode entrar em fadiga e então os batimentos se tornam mais lentos. É uma fase de alto risco de óbito fetal.

Em resumo estão associados a sofrimento fetal:

Só existe um tipo de sofrimento fetal?

Não. A depender da sua causa pode ser agudo ou crônico. A forma aguda geralmente é emergencial e necessita de abordagem obstétrica no sentido de interromper a gestação pela via mais rápida de forma a salvar a vida do concepto.

Já a forma crônica, é característica de malformações vasculares placentárias que garantem um fluxo constantemente reduzido para o feto durante boa parte da gestação. Tem como característica o desenvolvimento de fetos de tamanho reduzido.

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Causas de sofrimento fetal:

Insuficiência placentária – quando a placenta possui alguma alteração ou degeneração que impede o seu funcionamento adequado. A quantidade de sangue oxigenado que é fornecido ao feto é reduzida e há comprometimento da vitalidade fetal. Ocorre geralmente em pré-eclampsia, trombofilias e tabagismo.

Pré-eclampsia – é um defeito primário da implantação placentária que conduz o feto a um estado de sofrimento crônico por insuficiência placentária. Por isso, estas gestações devem ser acompanhadas em pré-natal de alto risco, com avaliação constante da vitalidade fetal.

Oligoâmnio – causa e consequência do sofrimento fetal. Pode ser causa quando facilita a compressão do cordão umbilical com prejuízo do fluxo sanguíneo que chega ao feto. É consequência da insuficiência placentária.

Prolapso de cordão – em caso de rotura das membranas amnióticas, em raras vezes, o cordão umbilical pode ficar comprimido entre a cabeça do feto e o colo do útero. Novamente, esta impede que o fluxo sanguíneo adequado seja fornecido ao bebe e conduz a um estado de hipoxia aguda e grave.

Taquissistolia e hiperssistolia – o excesso no número de contrações uterinas e/ou o aumento na duração destas prejudica o fluxo sanguíneo fetal por contrair as artérias uterinas e diminuir a quantidade de sangue que é fornecido ao feto pelos vasos umbilicais. As contrações uterinas devem ser avaliadas constantemente durante o trabalho de parto para a detecção destas alterações.

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Trabalho de parto prolongado – quando ocorre alguma alteração no desenvolvimento do trabalho de parto e o bebe permanece por muito tempo no canal da pelve feminina, o fluxo sanguíneo também pode ser reduzido. Vale lembrar que a cada contração uterina, ocorre fechamento das artérias uterinas e redução do volume sanguíneo placentário. O feto então tem sua vitalidade testada durante o trabalho de parto e este deve ser adequadamente acompanhado para que sejam reconhecidas precocemente as alterações.

Indução exagerada – o uso exagerado de medicamentos que aumentam as contrações uterinas (indutores de parto) pode causar excesso de contrações ou aumento da duração destas. Novamente repito que durante as contrações uterinas ocorre redução do sangue que chega à placenta através das artérias uterinas. Desta forma, as contrações exageradas podem conduzir a sofrimento fetal. Em indução de parto, a monitoração deve ser intensificada.

Pós-datismo – a placenta cessa o seu crescimento com 36 semanas de idade gestacional. Se a gestação se prolonga alem de 41 semanas, estão aumentados o risco de insuficiência placentária e sofrimento fetal. Desta forma, após completar 41 semanas (ou 40 caso a mulher tenha acima de 35 anos), a gestante deve procurar avaliação especializada.

Gêmeos – a gestação de gêmeos tem maior risco de insuficiência placentária pelo fato de ser maior a demanda de aporte sanguíneo, uma vez que mais de um feto se encontra na cavidade uterina. A chance de sofrimento fetal é maior quando há somente uma placenta para os fetos. É uma das gestações que merecem atenção especial em pré-natal de alto risco.

Doença Hemolítica Perinatal – quando há incompatibilidade sanguínea entre mãe e feto, há produção de anticorpos maternos contra as células sanguíneas fetais. Se manifesta em uma segunda gestação, desde que não haja reconhecimento e tratamento adequado na primeira. A destruição das hemácias do feto pode conduzir a anemia grave.

Lembramos que as hemácias são as células responsáveis pelo transporte de oxigênio no organismo e a sua queda provoca hipoxemia e acidose, que se traduzem como sofrimento fetal intraútero.

Diabetes mellitus – o diabetes gestacional é uma alteração da gestação que reflete a incapacidade de o pâncreas materno produzir insulina suficiente para controlar a hiperglicemia induzida pela gestação. É causa de sofrimento e até mesmo óbito fetal por causar alteração no metabolismo do feto, que cresce de forma exagerada.

A hiperglicemia lentifica o fluxo sanguíneo e atua como uma hipoxemia funcional. Em resposta, a produção de hemácias pelo feto é aumentada e este nasce com quantidade exagerada de células sanguíneas.

Além disso, as gestantes previamente diabéticas geralmente apresentam malformações vasculares placentárias, que reduzem a capacidade de fornecer o aporte sanguíneo adequado para o feto.

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Cardiopatias – durante a gravidez há aumento do volume sanguíneo em cerca de 40% com maior necessidade de trabalho cardíaco. Quando a gestante tem alguma doença cardiovascular, esta pode se manifestar ou piorar durante a gravidez e ser traduzida em incapacidade de manter um débito sanguíneo adequado para o leito placentário e o feto.

Trombofilias – doenças que promovem alteração da coagulação sanguínea podem favorecer a trombose de vasos placentários. Desta forma, a insuficiência placentária é um evento comum na ausência de anticoagulação adequada. Gestações em mulheres com maior tendência a formação de trombos intravasculares merecem acompanhamento no pré-natal de alto risco e orientação conjunta com médico hematologista.

Hemorragias maternas – em caso de sangramento materno-fetal como ocorre na placenta prévia ou no descolamento prematuro de placenta normalmente inserida, há parada do fornecimento de sangue para o feto e formação de um estado de sofrimento agudo.

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Fontes:

FERNANDES, Raquel Santos Robalo et al . Prognóstico obstétrico de pacientes portadoras de diabetes mellitus pré-gestacional. Rev. Bras. Ginecol. Obstet.,  Rio de Janeiro ,  v. 34, n. 11, Nov.  2012 .

Freitas et al. Rotinas em Obstetrícia. Volume 8. 2010

Leveno et al. Manual de Obstetrícia de Williams – Complicações na Gestação. 23ª Edição. 2014

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10 comentários sobre “Sofrimento Fetal: Definição e Causas

  1. As informações prestadas nesta página são muito relevantes e claras! Muito obrigada, foi de grande utilidade pra mim, pois minha irmã perdeu seu filho q estava com 36 semanas e 3 dias, não sabemos ainda a causa pq os resultados não chegaram ainda. Muitas dúvidas nós temos e queremos respostas, pra que na próxima não aconteça de novo. Muito obrigada,
    Suennya.

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      • Bia noite. minha esposa é portadora de trombofilia. Perdenis um bebê ano passado com 33 semanas. Hj ela está com exatamente 33 semanas e hispitalizada ppr motivo de contrações espaçadas. Nosso desespero é o medo dessas contrações virem a matar nosso bb. Ela fez todoa is exames incluindo doplerfluxometria e Cardiotocografia e tirando as contrações o restante está perfeito. Como li q as contrações podem causar diminuição do fluxo sanguíneo fiquei preocupado pois mesno com as medicações pra controle das contrações elas continuam e os médicos dizem q o importante é aguardar 37 semanas. Não seria o caso de uma cesariana logo?

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      • Doulas caso haja preservação do fluxo fetal não há necessidade de antecipar a resolução da gestação. O risco nas trombofilias seriam as tromboses da placenta, que seriam vistas no Doppler. Ascontracoes que prejudicam o fluxo fetal são aquelas características do trabalho de parto Franco, durando mais de 40 segundos e que se repitam a cada 5 minutos ou menos

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  2. supondo uma gravidez de 37 semanas e meio tendo um pré natal feito mensalmente e jamais ter sido detectado algo anormal ou alguma doença que pudesse causar um sopro no coraçao por exemplo ,houver sangramento (nao em forma de hemorragia) e contraçoes sucessivas diminuindo cada vez mais o tempo entre uma e outra,durante mais de 24 hrs, o feto engole o mecônio seus batimentos cardiacos ficam alertados, levando a uma cesariana urgente depois de quase 30 hrs de trabalho de parto, quais as chances de sobrevivencia? o que pode acontecer com o feto? em caso de morte após algumas horas, quais as causas que poderiamos julgar ter acontecido isso?

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  3. Olá, tive meu bebê ele tem 4 anos já .e essa dúvida me persegue
    4 meses de gestação teve descolamento da placenta, e isso tinha uma amiga q era enfermeira e viu tudo saiu um pedaço ela pensou q era o feto chorei muito aquele dia..e ela me disse q tinha pegado um feto microscópico.? Dr me reponde por favor mas depois q fui parar no hospital está lá o bebê graças a deus ele está comigo já está com 4 anos…eu me pergunto era gêmeos???

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  4. Bom dia, ano passado perdi meu bebe com 7 meses, fiz vários exames para descobrir a causa da perda e o resultado foi trombofilia da proteína C. O meu medico pediu para repetir e no outro exames não deu nenhuma alteração. Sentia muita dor (contração) que acabou com um descolamento de placenta no 4 mês, e no 7 mês eu senti novamente essa dor mas o bebe já tinha falecido. Hoje estou gravida de 6 semanas, sentindo tudo novamente, doí demais. Estou esperando o resultado dos novos exames, mas tem alguma coisa que eu possa fazer para melhorar essa situação?

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    • Viviane somente fazer o acompanhamento no pré-natal de alto risco e acompanhar rigorosamente a gestação. Como não sabemos a causa real da sua perda da gestação, o cuidado será em tratar as complicações que possam aparecer

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