Fatores de Infertilidade Conjugal: Um guia completo

A infertilidade e dividida didaticamente em fatores diferentes que devem ser avaliados nas mulheres e esses companheiros. Cada fator necessita de formas específicas de tratamento.

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Fator tuboperitoneal:

O principal causador de infertilidade conjugal. é representado pelas obstruções tubárias e deformidades na cavidade pélvica. São as chamadas aderências, cicatrizes de tecido conjuntivo formadas por qualquer processo infeccioso ou inflamatório que ocorra na cavidade pélvica feminina. Causas de aderências:

1Endometriose – doença causada pela localização extrauterina de tecido endometrial. Este tecido reage aos hormônios do ciclo menstrual com proliferação seguida de descamação com sangramento. Causa dor de forte intensidade e está bastante associada à infertilidade conjugal. 

2. Doença inflamatória pélvica – infecção genital causada por microrganismos capazes de atingir o útero e trompas. Causam corrimento fétido, dor pélvica, febre, dor a relação sexual. Da mesma forma que a endometriose, é capaz de formar aderências pélvicas e obstruir as tubas uterinas.

3. Cirurgias pélvicas – atuam como fatores de agressão aos tecidos da cavidade e suas cicatrizes podem obstruir as tubas uterinas. A pesquisa de aderências deve sempre ser lembrada em mulheres com história de cirurgias pélvicas e abdominais anteriores.

Fator ovulatório:

A ovulação é uma sequencia de eventos hormonais que deve ocorrer de maneira perfeita para que seja concluída e a mulher possa engravidar. Quando isso não ocorre, podem ocorrer ciclos anovulatórios e/ou desregulados que reduzem bastante a taxa de gestação. Disfunções cerebrais, na tireoide, na gordura corporal e nos próprios ovários são responsáveis pelos ciclos disfuncionais. Veja abaixo:

1. Síndrome dos Ovários Policísticos – causa mais frequente de ciclos anovulatórios em mulheres na idade reprodutiva. É também chamada de Síndrome da Anovulação Crônica Hiperandrogenica. Esta denominação caracteriza de forma mais fiel as consequências da síndrome, que vai muito além do desenvolvimento de cistos ovarianos.

A desregulação que ocorre nos ciclos menstruais é causada pelo aumento de hormônios masculinos associada a resistência a insulina. Estes prejudicam a maturação correta dos folículos ovarianos e favorece o desenvolvimento de ciclos anovulatórios.

O tratamento envolve medidas comportamentais com atividade física, dieta balanceada, controle da obesidade e contraceptivos hormonais para regular os ciclos. A associação de Metformina reduz a resistência a insulina e melhora as taxas de ovulação.

Em desejo gestacional estas medidas são extremamente importantes. Se não forem suficientes e houver exclusão de outras causas de infertilidade conjugal, deve ser tentada a indução de ovulação.

2. Alterações de peso – obesidade também prejudica a ovulação pelo fato de aumentar a conversão periférica de hormônios e alterar o ciclo menstrual normal. Perda de peso também prejudica a ovulação feminina pelo fato de ter baixa quantidade de tecido gorduroso. O colesterol que este contém é a base para a formação dos esteroides sexuais.

Mulheres que praticam atividade física de maneira intensa tem redução da ovulação também por redução da gordura corporal.

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3. Doenças da tireoide – os hormônios tireoidianos são responsáveis pelo controle metabólico de diversas funções corporais. Quando desregulados, são causa de alteração ovariana e anovulação. Devem ser sempre lembrados em mulheres com queixas sugestivas.

Aumento de peso, baixa resistência a frio, letargia, sonolência, alteração na voz, queda de cabelo, todos leva a pensar em hipotireoidismo. Contrariamente, calor excessivo, sudorese, inquietação, tremor de extremidades, insônia, levantam a possibilidade de hipertireoidismo.

4. Poluentes ambientais – nas mulheres que vivem em cidades com bastante poluição é notado aumento da infertilidade de causa ovariana.

5. Estado psicológico – a secreção dos hormônios do ciclo menstrual na mulher depende fundamentalmente do seu estado psicológico no momento o estresse emocional pode alterar a secreção hipotalâmica de GnRH e reduzir o estímulo ovariano para que haja ovulação.

Nas mulheres que permanecem muito ansiosas em relação à ovulação, por desejo gestacional, pode ocorrer piora dos resultados em números de gestações. Então, além das tentativas de engravidar, é importante que a mulher se mantenha serena e calma, para que a natureza possa trabalhar.

Fator cervical:

Bastante raro. E quando o muco cervical feminino impede a passagem dos espermatozoides e o seu encontro com o óvulo. Esta incompatibilidade mata os espermatozoides.

Deve ser feito exame do muco cervical após o coito, para verificar a existência de anticorpos contra os espermatozoides. Nestes casos, geralmente a inseminação artificial é capaz de promover a gestação.

Fator uterino:

Deformidades uterinas por malformações congênitas ou adquiridas podem impedir o desenvolvimento correto da gestação. 

1. Malformações uterinas – As malformações uterinas congênitas muitas vezes passam despercebidas quando houver pesquisa prévia através de exames complementares.

Dificulta o desenvolvimento de uma gestação por conta da alteração anatômica. Durante a gestação, o menor espaço na cavidade uterina pode provocar abortamento. Septos, útero didelfo, bicórneo são as alterações mais comuns.

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2. Miomas – das doenças adquiridas as mais comuns são os miomas, quando deformam a cavidade endometrial podem impedir o desenvolvimento satisfatório da gestação. As mulheres que têm somente o mioma e infertilidade conjugal, devem fazer cirurgia para retirá-lo.

3. Pólipos – são projeções de tecido endometrial dentro da cavidade uterina. São causa de sangramento uterino anormal e fazem parte do diferencial com miomas e ciclos anovulatórios. O tratamento é feito com cirurgia para sua retirada.

Causam infertilidade de forma semelhante à contracepção pelo DIU. Por conta da inflamação que existe na cavidade endometrial, há dificuldade de implantação do óvulo fecundado na cavidade uterina.

Fator masculino:

A pesquisa do fator masculino é fundamental na definição de infertilidade conjugal. Para iniciar, a consulta da infertilidade deve ser realizada com o casal, na busca de fatores conjuntos que possam levar a infertilidade.

A consulta levanta questionamentos sobre história pregressa, doenças como diabetes, tabagismo, filhos anteriores, traumas testiculares, cirurgias genitais prévias, doenças do trato urológico.

O exame a ser feito, e que tem grande valor diagnóstico, e o espermograma. Tem baixo custo e avalia a forma, a mobilidade, quantidade e a capacidade dos espermatozoides produzirem gestação. Deve ser realizado sempre, antes mesmo dos exames do fator feminino, que são mais dispendiosos e de maior custo.

Em suspeita clínica podem ser solicitados cariótipo, ultrassonografia de testículos e dosagens hormonais, como complementos ao espermograma e à história clínica.

OBS: O homem que possui filhos não está dispensado de fazer o espermograma. Doenças adquiridas após podem causar prejuízo da fertilidade.

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Fontes:

Freitas, F. et al. Rotinas em Ginecologia. 6ª Edição. ed. Porto Alegre: Artmed, v. Único, 2010.

Magalhães, Maria L M; Medeiros, Francisco C; Valente, Paulla V; Pinheiro, Luciano S.Ginecologia baseada em problemas. Faculdade Christus. Fortaleza-CE, 2011.

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