Gravidez na Adolescência: Complicações Mais Importantes

A adolescência é um período de modificações importantes na formação da mulher. Uma gestação causa modificações de impacto importante que devem ser bem cuidadas para que não haja prejuízos materno-fetais.

teen pregnancy

A adolescência é um período ruim para engravidar?

Não necessariamente. Pelo fato de a mulher se encontrar num período de profundas modificações, há necessidade de maior atenção às complicações próprias das gestações em adolescentes.

O problema é que a incidência de gestações na adolescência ocorre exatamente na população com menor nível socioeconômico. Estas mulheres tem menos acesso aos serviços de saúde e tem maior dificuldade de acompanhamento adequado da gestação.

A gravidez é um período de modificações psicológicas, físicas e sociais. A adolescência também. Por isso é consenso que a gestação na adolescência deva ser acompanhada no pré-natal de alto risco.

Desta forma o acompanhamento adequado, o suporte familiar e a preparação para essa nova fase da vida farão a diferença em relação ao desfecho materno-fetal.

2014-09-30 22.36.21

Quais as complicações nas gestações em adolescentes?

1. Prematuridade:

O mais importante e frequente. As adolescentes têm 75% mais chance de parto prematuro que as mulheres acima de 20 anos.  Por isso a gestação na adolescência é considerada um problema de saúde pública. A prematuridade é responsável por grande parte da mortalidade perinatal no Brasil e no mundo.

Pode provocar também problemas de desenvolvimento neurológico do bebe, alterações visuais e auditivas.

2. Baixo peso ao nascer:

Há maior incidência de nascimento de fetos com menos de 2.500mg. Estes bebes tem maior chance de desenvolverem infecções e devem ser acompanhados em relação a alterações de desenvolvimento.

3. Toxemia gravídica(Pré-eclampsia):

O risco de pré-eclampsia e eclampsia é maior em mulheres que engravidam na adolescência. Ocorrem devido a formação e desenvolvimento inadequados da placenta e da formação da circulação uteroplacentária.

A pré-eclampsia é a principal doença que atinge as gestantes. No Brasil é a primeira causa de morte materna por causa obstétrica. Portanto, é mais um fator para ficar de olho em gestações de adolescentes.

4. Desproporção céfalo-pélvica:

Ocorre quando o polo cefálico(cabeça fetal) do feto não consegue passar pela bacia materna durante o trabalho de parto. Torna impossível o parto normal.

A maturação óssea da mulher ocorre durante a puberdade. É nessa fase que se percebe a formação das “formas femininas”. Isso ocorre por conta do alargamento dos quadris (bacia óssea e gordura em coxas e glúteos), exatamente para prepará-la para um futuro reprodutivo saudável.

Nas adolescentes este processo pode não estar completo e dificultar a ocorrência de parto normal.

5. Carências nutricionais:

Por aumento das demandas metabólicas da gestação há maior necessidade de alimentação em quantidade e qualidade corretas. As gestantes adolescentes acabam sofrendo mais com os vômitos do início da gestação e apresentam hábitos alimentares menos adequados.

A má nutrição pode ser atribuída ao maior número de adolescentes grávidas em populações de menor nível socioeconômico. A má nutrição também contribui para a redução do peso fetal ao nascimento.

6. Menor cuidado com o recém-nascido:

A chegada do recém-nascido necessita de cuidados especiais. A adolescente deve se preparar física e psicologicamente para esta fase da vida. Quando isso não ocorre de forma satisfatória, o cuidado com a criança fica prejudicado.

Na nossa realidade, acaba recaindo sobre a avó a responsabilidade de cuidado com o bebe, quando a mãe adolescente não tem capacidade para fazê-lo.

7. Trabalho de parto prolongado:

O trabalho de parto é doloroso e necessita de esforço físico e mental maternos. A mulher que assume o seu papel como protagonista do trabalho de parto desenvolve uma evolução mais rápida e mais saudável para seu bebe.

A preparação psicológica inadequada da adolescente pode prejudicar o desenvolvimento do parto normal em velocidade adequada. Neste momento o apoio emocional tem ótimos resultados.

Segundo Rezende, a gestante ansiosa produz muita adrenalina e esta compete com a ocitocina e prejudica as contrações uterinas. O trabalho de parto prolongado é a regra nestas mulheres.

8. Laceração de períneo:

Pelo menor desenvolvimento da anatomia da região genital, a adolescente tem maior lesão de tecidos durante o parto.

9. Aumento do índice de cesáreas:

Associando a desproporção céfalo-pélvica com o trabalho de parto prolongado e a maior prevalência de doença hipertensiva da gestação, temos uma maior quantidade de cesáreas nas adolescentes.

Este fato é ruim por conta do futuro reprodutivo da mulher em gestações subsequentes. Um parto normal, embora permitido, tem maior risco de rotura uterina e necessidade de histerectomia após uma cesariana.

O intervalo interpartal(entre os partos) nestas mulheres também é menor. Vale lembrar que o risco de rotura uterina é maior em um parto normal após menos de 2 anos da cesárea.

O intervalo curto entre os partos também prejudica o cuidado adequado com o primeiro filho e aumenta a anemia materna por conta do consumo metabólico e da perda sanguínea dos partos.

10. Infecções maternas e fetais:

O trato genital feminino na adolescência é mais vulnerável a infecções. Soma-se à redução da atividade do sistema de defesa imune que ocorre na gestação, há maior prevalência de infecções nestas mulheres.

Na gestação as infecções devem ser tratadas de forma precoce. Ainda mais se for em adolescente. Tem o objetivo de evitar o desenvolvimento de complicações para a mulher e a gestação. As infecções estão associadas a trabalho de parto prematuro e rotura prematura das membranas. 

ScreenShot268

Fontes:

Martins, Marília; Santos, Graciete; Souza, Márcia, et al.  Associação de gravidez na adolescência e prematuridade. Revista Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia. Out 2011. Nº 33. Ed 11.

SIQUEIRA, Arnaldo Augusto Franco de et al.Evolução da gravidez em adolescentes matriculadas no Serviço Pré-natal do Centro de Saúde Geraldo de Paula Souza, São Paulo (Brasil). Rev. Saúde Pública [online]. 1981, vol.15, n.5, pp. 449-454. ISSN 0034-8910.  http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89101981000500001.

Captura de Tela 2016-05-06 às 22.31.01

Liberei uma amostra do meu livro digital: “Tenho Síndrome dos Ovários Policísticos: E Agora?” Acesse o link abaixo e confira!
http://www.dremersonbatista.com/#!home/ipmp6

Screen Shot 03-27-16 at 08.29 PM

Caso você goste do conteúdo e queira saber como ter acesso ao conteúdo completo acesse:

http://www.dremersonbatista.com

CONHEÇA MEU PERFIL NO GOOGLE PLUS

https://plus.google.com/u/0/107467915066257179224/posts

Um comentário sobre “Gravidez na Adolescência: Complicações Mais Importantes

  1. Pingback: Arrependimento Após Laqueadura Tubária | Gravidez e Saúde da Mulher

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s