Teratógenos: causadores de malformações fetais(Parte II)

Medicamentos usados durante a gestação devem ter segurança comprovada para a mãe e o feto. Algumas destas tem efeitos bem conhecidos sobre a mãe e seu concepto. Seu uso deve ser feito de forma a preservar a saúde na gestação, sem prejuízos para o estado clínico da mulher.

 

Teratógenos da gestação

 

O que são teratógenos?

É qualquer substância, organismo, agente físico ou estado de deficiência que, estando presente durante a vida embrionária ou fetal, produz uma alteração de estrutura ou função da descendência (Dicke, 1989).

O desenvolvimento fetal pode ser alterado pelas substâncias abaixo:

Anticonvulsivantes:

O sistema nervoso central pode ser alterado em uma em cada 10 pacientes que usa anticonvulsivantes. Apesar disso mas não devem ser suspensas, visto que em mais de 90% das gestantes não ocorre qualquer alteração fetal. Também deve ser lembrado que a epilepsia é uma doença que pode trazer graves consequências na gestação, na vigência de convulsões que podem até mesmo causar abortamento e óbito fetal.  As medicações mais seguras são Carbamazepina e Lamotrigina, de preferência em monoterapia.

Anticoagulantes:

A Varfarina é associada a malformações fetais, hemorragias e óbito. Esta deve ser substituída de forma imprescindível no 1º e 3º trimestres, por heparina. Entretanto a maioria dos obstetras prefere manter a gestante que necessita de anticoagulantes em uso somente de heparina durante toda a gestação. Esta deve ser acompanhada de forma intensiva com ajustes de doses e avaliação da vitalidade fetal.

Antiinflamatórios não-hormonais:

Os AINES tem efeito de prolongar a gestação, sendo usados em alguns casos específicos como em gestação com polidramnio(excesso de líquido amniótico). O risco maior é de, no 3º trimestre, causar o fechamento do ducto arterioso e causar hipertensão pulmonar no recém-nascido. Quando usado no 1º trimestre, tem risco de malformações cardíacas e gastrosquise. Devem portanto ser evitados Ibuprofeno, Diclofenaco e Indometacina a gestação.

Inibidores da enzima conversora de angiotensina:

Os antihipertensivos como Captopril e Enalapril são causa frequente de óbito fetal em casos de mulheres que engravidam e mantém seu uso de forma desavisada. Oferecem risco durante todos os trimestres da gestação, e devem ser prontamente substituídos.

Carbonato de lítio:

Tem efeitos documentados em relação a malformações cardíacas e Síndrome de Ebstein. É usado como estabilizador de humor em doenças como o Transtorno Afetivo Bipolar. Pelo maior risco de descompensação causado por alteração do metabolismo da gestação, o uso deve ser mantido com avaliação do nível sérico da droga. Além disso a gestante deve realizar o ecocardiograma fetal para rastreamento de malformações.

Cocaína:

Causa alteração do fluxo placentário com risco de Restrição de Crescimento Fetal, descolamentos placentários e óbito fetal. A conduta deve ser de buscar eliminar o uso, com encaminhamento para ajuda especializada.

Inibidores da Recaptação Seletiva de Serotonina:

A Paroxetina pode causar alterações relacionadas ao sistema nervoso central. O uso deve ser avaliado em relação ao grau de acometimento da mulher e o risco de descompensações com a ausência do uso.

Misoprostol:

Usados como indutores de aborto, causam a Síndrome de Moebius na permanência da gestação. Esta síndrome causa paralisia dos nervos faciais e redução ou ausência de expressão facial e estrabismo convergente. A paciente que tentou abortar deve ser acompanhada, livre de julgamento de culpa, e as malformações fetais devem ser buscadas.

Retinóides derivados da vitamina A:

A Isotretinoína, bastante popular entre os dermatologistas para tratamento de acne, tem efeitos muito potentes nas alterações fetais, principalmente renais e cardíacas. Quando seu uso for realizado, a contracepção deve ser rigorosa e a mulher orientada quanto aos riscos em uma possível gestação.

Tionamidas(antitireoidianos):

O hipertireoidismo é associado a malformações fetais, abortamentos e óbito fetal e deve ser bem conduzido durante a gravidez. A droga de escolha é o Propiltiouracil, na menor dose efetiva possível.

 

Fontes:

FREITAS, F. et al. Rotinas em Obstetrícia. 6ª Edição. ed. Porto Alegre: Artmed, v. Único, 2010.

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