Trauma na Gestação

Segundo o American College of Obstetrics and Gynecologists cerca de 20% das gestantes sofrem algum tipo de trauma ou violência, sendo que estes aumentam a chance de desfecho ruim em relação ao prognóstico fetal. Este tem grande chance de não sobreviver quando há lesão uterina direta e descolamentos placentários, com comprometimento do fluxo sanguíneo materno-fetal.

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Por que é importante entender o que os acidentes podem causar na gestação?

O trauma corresponde à primeira causa de morte não obstétrica na gestação. Sua abordagem necessita de especificidades que devem ser lembradas como a vitalidade fetal, lembrando que em gestantes os médicos lidam com os 2 pacientes.

A placenta é uma estrutura inelástica que permanece aderida a uma estrutura elástica, que é o útero. Quando ocorre trauma com mobilização uterina ocorre então fragmentação do tecido placentário e descolamentos de placenta. Estes reduzem o fluxo fetal e são causa frequente de óbito.

O Descolamento Prematuro de Placenta(DPP) deve sempre ser suspeitado em gestantes que evoluem com dor abdominal persistente associada a contratilidade uterina aumentada e sangramento transvaginal. A vitalidade fetal através da ausculta dos batimentos cardiofetais é um bom parâmetro para avaliar a presença de DPP, devido a sua alteração de forma precoce na presença desta entidade clínica. É a principal preocupação após um trauma contuso, por ser potencialmente grave e causa de óbito fetal. Também pode ocorrer rotura uterina, sendo mais rara e, quando ocorre, atinge pacientes com cicatrizes uterinas prévias.

Os traumas penetrantes como os causados por arma de fogo e arma branca(facas), quando atingem o útero, estão associados a altas taxas de óbito fetal. .

Com relação aos trimestres temos que:

  • No primeiro trimestre o útero é um órgão pélvico, sendo mais dificilmente atingido, exceto em fraturas desta estrutura óssea.
  • No segundo trimestre o feto se encontra mais protegido pela maior quantidade de líquido amniótico em relação ao tamanho fetal.
  • No terceiro trimestre, ocorre maior tensão sobre o miométrio e o útero é mais sensível a roturas e lacerações.

É importante lembrar que na ocorrência de trauma a gestante deve ser a prioridade, ficando a avaliação fetal em segundo plano, uma escolha sempre difícil de ser tomada.

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Tipos de trauma na gestação:

1. Acidentes automobilísticos –  tem alta taxa de mortalidade fetal quando há trauma direto sobre o útero. Nos traumas em gestantes dirigindo ou como passageiras de carro, as maiores taxas de mortalidade ocorrem em pacientes que não estão usando cinto de segurança e são ejetadas do veículo.

No nossa realidade uma grande quantidade de pessoas utiliza motocicletas para se locomover. O problema é que este veículo não oferece a mínima proteção em situações de colisão. Desta forma as gestantes devem ser desencorajadas a utilizar este tipo de meio de locomoção.

2. Atropelamentos – novamente tem alta taxa de mortalidade fetal em lesão direta sobre o abdome da gestante.

3. Traumas penetrantes – tem menor chance de lesão orgânica materna, entretanto há maior risco de lesão uterina e óbito fetal.

4. Abuso sexual – quando ocorre abuso sexual que resulta em gravidez a gestante deve ser avaliada quando a doenças sexualmente transmissíveis e outras lesões associadas a violência física.

5. Violência doméstica – as gestantes que sofrem violência doméstica tendem a procurar serviço de saúde para iniciar o pré-natal de forma mais tardia e ocorre piora do prognóstico da gestação, com maior risco de complicações materno-fetais.

6. Queimaduras – as lesões por queimadura causam maiores prejuízos à gestação quando ocorre choque hipovolêmico e insuficiência renal.

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Fontes:

Leveno et al. Manual de Obstetrícia de Williams – Complicações na Gestação. 23ª Edição. 2014.

FREITAS, F. et al. Rotinas em Obstetrícia. 6ª Edição. ed. Porto Alegre: Artmed, v. Único, 2010.

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