Doença Cardíaca na Gestação

O sistema cardiovascular da gestante sofre intensas modificações para garantir o sucesso da gestação. Em mulheres com doenças cardíacas, pode causar piora importante. 

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Qual a importância de avaliar doenças cardíacas nas gestantes?

As cardiopatias são a primeira causa de morte obstétrica indireta nas estatísticas americanas, sendo fator complicador em cerca de 1% das gestações. Correspondem também à primeira causa de morte em mulheres entre 25 e 44 anos.

As principais doenças cardíacas que ocorrem na gestação são:

  • Cardiopatias congênitas.
  • Doenças valvares.
  • Miocardiopatias.
  • Doença de Chagas.

A Síndrome de Marfan e o Infarto Agudo do Miocárdio são mais raros, entretanto aumentam sobremaneira a mortalidade materno-fetal.

Fisiologia cardíaca na gestação:

Durante a gravidez a produção de estrógenos pela placenta causa aumento da retenção hidrossalina e aumento do volume sanguíneo da mulher. Ocorre diluição sanguínea, formando a chamada “anemia fisiológica da gestação”.

O coração então recebe uma quantidade maior de sangue a ser bombeado, principalmente no segundo trimestre, com aumento de 50% no débito cardíaco.

A resistência vascular periférica está reduzida, com redução da pressão durante o primeiro e o segundo trimestres, com elevação somente no terceiro, quando ocorre aumento máximo de volume da gestação, que varia de 20 a 100% a mais.

A frequência cardíaca aumenta em 10 a 20 batimentos por minuto no terceiro trimestre, pela maior necessidade sistêmica de volume sanguíneo e pela menor quantidade de sangue que chega ao coração, devido à compressão uterina sobre a veia cava.

Nas gestantes que possuem alguma cardiopatia ainda não manifestada clinicamente ocorre descompensação geralmente no 2º trimestre, pelo aumento rápido da volemia, ou no 3 trimestre, quando o volume gestacional é máximo.

Todas estas alterações são aumentadas em gestações gemelares, aumentando ainda mais a necessidade de vigilância. Com isso, justifica-se o encaminhamento ao pré-natal de alto risco.

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Avaliação clínica:

Algumas alterações são fisiológicas da gestação e dificultam o diagnóstico de condições anormais. Todas as gestantes apresentam sopro sistólico leve, devido à diluição sanguínea causada pela hipervolemia e aumento do débito cardíaco. Também ocorre dispneia(falta de ar) por compressão diafragmática e aumento do esforço respiratório.

O edema ocorre por compressão da veia cava pelo útero gestacional. Desta forma, estes sintomas não servem como parâmetro para avaliar descompensações cardíacas.

Devem ser valorizados como sinais de alerta a presença de dispneia grave e incapacitante, dor torácica, alterações de frequência e ritmo cardíaco e turgência de jugular.

Exames complementares:

  • Radiografia de tórax – pode ser realizada de forma segura na gestação. Auxilia na avaliação de presença de doenças pulmonares como causa de dispneia e na definição da presença de cardiomegalia patológica. Um certo grau de aumento cardíaco é permitido na gestação, com base nas alterações acima citadas.
  • Eletrocardiograma – a elevação diafragmática pelo útero gestacional causa desvio do eixo cardíaco para a esquerda. Entretanto os demais parâmetros se mantém iguais às não-gestantes, com boa sensibilidade diagnóstica.
  • Ecocardiograma – exame não-invasivo, com excelente avaliação da condição cardiovascular da gestante e fornecimento de informações sobre débito cardíaco, contratilidade miocárdica e funcionamento das valvas cardíacas.

Síndrome da Hipotensão supina:

Ocorre quando a gestante está deitada em decúbito dorsal(de barriga para cima), com a compressão da veia cava e dificuldade de retorno venoso para o coração, causando turvação visual, taquicardia, sudorese fria e até desmaio. A mudança para o decúbito lateral esquerdo(deitada de lado para a esquerda) alivia os sintomas.
A posição de decúbito lateral esquerdo deve ser a medida inicial em todas as gestantes as queixas acima.

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Fontes:

Leveno et al. Manual de Obstetrícia de Williams – Complicações na Gestação. 23ª Edição. 2014.

FREITAS, F. et al. Rotinas em Obstetrícia. 6ª Edição. ed. Porto Alegre: Artmed, v. Único, 2010.

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